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Nova posição do voleibol brasileiro: ponteiro-passador E-mail
29-Jan-2010
Coqueluche atualmente no voleibol, o termo ponteiro-passador é uma redundância desnecessária
 
Por Carlos Eduardo Guilherme (Pacome)  
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Ponta, ponteiro ou ponteiro-passador. Qual é a expressão mais adequada para definir o jogador que atua na posição 4 da quadra (ataque esquerdo), simplificando, o que corta e bloqueia na ponta de rede? Claro, a primeira e a segunda opções. Tanto faz. Agora convenhamos, a terceira, ponteiro-passador é invenção. Não sei por que cargas d’água, atualmente, é o termo que está na moda. A expressão virou coqueluche da nova geração do voleibol brasileiro. Pior, ao invés de facilitar, o termo complica ainda mais para os novos amantes do voleibol.  Estão criando um neologismo improcedente.

Sem querer ser indelicado ou prepotente, a maioria esmagadora do público que acompanha o voleibol, infelizmente, não conhece as artimanhas desse esporte. Aparentemente fácil, o voleibol é um dos mais difíceis esportes para se jogar coletivamente e entender seus segmentos técnicos, táticos e físicos. As interpretações das regras, linhas de correspondências entre os atletas na quadra, táticas de formação e de recepção de saque, jogadas ensaiadas e combinações de ataque, coberturas das largadas (pingadas), proteções do ataque e sistema defensivo etc. são complexas e confusas para o espectador menos esclarecido, por isso não devemos confundi-los ainda mais com expressões desnecessárias e redundantes.

Passe é a terminologia que significa recepção do saque. E o passe é de responsabilidade dos pontas e do líbero. Portanto, o termo “ponteiro-passador”, além de ser pleonástico, é, com certeza, errado. Pois, uma das funções do atleta que atua na ponta de rede é recepcionar o saque adversário, ou seja, passar a bola para o levantador. Aliás, o ponta é uma posição de grande destaque na equipe. Além de recepcionar o saque, o ponteiro tem outras funções na quadra: claro, uma delas é atacar e bloquear na ponta de rede, as outras são a de recepcionar o saque adversário, sacar, defender e, eventualmente, levantar. No voleibol atual, as expressões ponta ou ponteiro, sugere subliminarmente, por si só, que os atletas que atuam nessa posição são também os responsáveis pela recepção do saque.

Por que então privilegiar somente o ato de passar associado ao atleta de ponta, criando assim uma palavra composta? É óbvio e ululante que, nos sistemas de recepção do saque adotado pelas nossas equipes, todos os pontas são passadores. O sistema 5/1, adotado por todas as equipes brasileiras, tanto masculinas como femininas, taticamente quer dizer: cinco cortadores e um levantador que deverão sair assim distribuídos na quadra - o levantador na diagonal do oposto, dois atletas meios-de-redes e dois atletas de ponta que também sairão na diagonal entre si. Cada uma dessas posições tem uma função específica na quadra. Mais uma vez eu volto a afirmar, dentre as funções do ponta, uma é a de passar.

A redundância do termo ponteiro-passador é visível. Seria o mesmo que dizer levantador-armador, central-bloqueador, líbero-defensor, oposto que ataca na saída, reserva-suplente, massagista-massageador, assistente-técnico ajudante, dirigente-cartola, árbitro-juiz, técnico-instrutor e outras pérolas de plantão do vocabulário esportivo brasileiro.

Voltando ao termo em questão, achamos desnecessária sua utilização. Afinal, “escrever é cortar palavras” - frase atribuída a Carlos Drummond de Andrade. Parafraseando-o, ouso afirmar que falar também é a mesma coisa. A propósito, já dizia o pensador e poeta francês, Paul Valéry: “entre duas palavras, escolha a mais simples. Entre as duas palavras simples, escolha sempre a mais curta”. Então, para que complicar? Na minha modesta opinião, o correto é somente ponta, ponteiro ou atacante de ponta. Nada mais. Baseado em Paul Valéry, somente o termo “ponta” já está de bom tamanho. Não vamos exagerar. Para quem sabe ler um pingo é letra! Sem querer ser retrógado, esse termo não procede.

Amigo meu, ex-jogador de dirigente da velha guarda, certa vez me perguntou: “Pacome, o que é ponteiro-passador?” Não tive alternativa, disse que é invenção. Segundo ele, os experts de plantão estão inventando moda. Devo admitir, concordo com ele.

A despeito do conteúdo deste texto, Chacrinha iria se deliciar com essas expressões fúteis. “Se podemos complicar, para que facilitar”.  “Eu vim para confundir e não para explicar”. Já dizia o Velho Guerreiro.
Atualizado em ( 30-Jan-2010 )
 
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