Exclusivo: Entrevista com Caio de Prá direto da Bélgica

Caião (esq.) comemora com seus companheiros. (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Jogador com passagens por grandes equipes do Brasil é destaque em país europeu.

O oposto Caio de Prá, natural de Santos, já defendeu grandes equipes do voleibol brasileiro, como o Esporte Clube Pinheiros, Caxias do Sul, São Caetano e Blumenau. Após sua passagem pelo Brasil, o atleta atuou pelo Raision Loimu, da Finlândia, e depois retornou ao seu país para jogar no Soya/Blumenau/Furb/Barão, na temporada 2009/2010. Atualmente Caião defende o Axis Shanks Guibertin da Bélgica e apesar da pouca idade, apenas 23 anos, o jogador acumula grande experiência dentro das quadras.

Confira a entrevista exclusiva que o atleta concedeu ao Planeta Vôlei diretamente da Bélgica.

- Apesar de ser novo, você já jogou em algumas equipes do Brasil e também da Finlândia e da Bélgica. Existem diferenças nos treinamentos e no perfil tático das equipes?

Sim, com certeza existe muita diferença na maneira de aplicar o treinamento para os jogadores. Cada técnico adapta sua maneira de treinar e juntamente suas táticas em algumas vezes bem distintos uns dos outros. Cada país tem uma cultura diferente, acredito que está diferença de treinamento tem a ver com a cultura do lugar ou a maneira que eles entendem o Voleibol.

- Já que você jogou em países tão diferentes, como foi o processo de adaptação tanto na Bélgica quanto na Finlândia?

Bom, na Finlândia foi um pouco mais complicado, começando pelo idioma que é muito diferente, e eu não falava inglês, então eu tive que “ralar” muito no começo para entender os companheiros e os treinadores. Este era o mais difícil, pois a Finlândia era um País que fazia sempre -10º então no começo foi complicado, mas nada não superável!

Em relação ao Voleibol foi bem diferente também, pois aqui na Europa muitas equipes não tem os 12 jogadores profissionais, então muitas vezes temos que passar por situações de treinar em 3 ou 6 jogadores que  para nós brasileiros não é tão fácil, pois sempre temos nas equipes de superliga no mínimo 15 jogadores para revezar, e dar ritmo nos treinos.

Aqui na Bélgica já vem sendo muito mais fácil, pois quando cheguei aqui ainda estávamos no final do verão. Foi bom porque peguei temperaturas agradáveis, e logo a comida aqui é muito parecida com o que estamos acostumados no Brasil. O problema do idioma já não foi tão grave, pois depois que voltei da Finlândia já voltei falando razoavelmente bem o Inglês. Isso foi uma coisa que já ajudou muito foi a experiência na Finlândia, então já vim sabendo como funciona as coisas aqui na Europa, os ritmos de treinos e ritmo de vida .

- Como funcionam os campeonatos nos países europeus que você já atuou?

O Sistema de disputa do campeonato na Finlândia é basicamente o mesmo da Superliga  baseado em turno e returno e playoffs .

Já aqui na Bélgica é um pouco diferente na Liga B que é a que estou atuando. Na liga B aqui na Bélgica o sistema de disputa é apenas turno e returno , e a equipe campeã ganha o acesso para disputar a primeira divisão.

- Você acredita que seria importante fazer algo semelhante no Brasil, com a criação de novas divisões do Voleibol?

Com Certeza! Na minha opinião, vejo o Brasil com um potencial enorme em “produzir” jogadores, temos uma base de equipes infanto-juvenis  e juvenis muito forte,  que preparam o atleta para as equipes  profissionais já estando num nível forte.

Mas infelizmente, na atualidade, falta espaço para atuar no Brasil, pois só temos uma divisão que é a Superliga . Com a quantidade e qualidade de jogadores que temos , daria perfeitamente para termos 2 Superligas  por exemplo. Uma Superliga B que seja na mesma data da Superliga ou não  com um número  parecido de equipes. Acredito realmente que nosso país possa ter mais de uma divisão no voleibol profissional, proporcionando a muitos jogadores uma oportunidade de trabalharem em seu país, buscando seu espaço no melhor voleibol do mundo.

Acho que isso não seria pedir muito, pois aqui na Europa até mesmo na Argentina que está bem próximo do Brasil existem duas ou três divisões onde tem espaço e trabalho para todos os jogadores. Acho importante ressaltar que não é por falta de jogadores com qualidade, de material humano,  pois temos muitos jogadores conhecidos no voleibol brasileiro atuando na Europa em outras divisões então porque não termos uma outra divisão?



- Em qual País você mais evoluiu no vôlei?

Brasil. Com certeza foi no Brasil que aprendi a jogar voleibol. Pois temos uma das melhores escolas de voleibol do mundo!

- Você pretende voltar a jogar no Brasil?

Com certeza. Jogar no Brasil, estar perto da família, de minha noiva e vivenciando o melhor voleibol é algo que eu desejo. Porém, não descarto as propostas que recebo de fora, principalmente porque em termos de valores, geralmente são superiores.

- Qual a sua grande inspiração no vôlei?

Minha grande inspiração no vôlei vem de muito pequeno, quando tinha apenas 5, 6 anos de idade, que já acompanhava meu tio Léo jogando e toda a família torcendo, então desde pequeno peguei o amor pelo esporte , por ver toda a emoção transmitida de dentro da quadra para a televisão e toda a família vibrando junto. Isso para mim é algo maravilhoso, ter minha família e hoje minha noiva me incentivando cada vez mais para conseguir ir mais longe e torcendo por mim. Acho que não tem inspiração e motivação maiores que todos que te amam em sua volta estarem junto com você te incentivando e apoiando sempre.

- É verdade que você é sobrinho do Léo, jogador da geração de prata da Seleção Brasileira?

Sim meu tio Léo. Com certeza ele é o “culpado” por tudo(risos)!Não sei se sem ele eu teria escolhido jogar vôlei. e nem imagino o que eu estaria fazendo hoje em dia, o que teria escolhido como profissão que não seja o esporte.

- Ele foi uma das suas maiores inspirações?

Com certeza o Léo foi minha inspiração no começo, e continua sendo até hoje estando presente, ajudando, dando conselhos, broncas tudo o que tem direito!

Tenho que agradecer muito ao Léo, por ter me ajudado muito sempre, não só no vôlei mas como ser humano, por tudo o que ele sempre ajudou. Minha família também meus pais sempre foram a favor que eu jogasse, sempre me deram todo o apoio o suporte necessário.

- O que você acha da influência da geração de prata para a evolução do vôlei brasileiro?

Bom , foi simplesmente a primeira geração a ganhar títulos importantes para o Brasil . Foi sem dúvida a geração que fez o voleibol ser o que é hoje para o Brasil. A partir daí que o Voleibol se tornou o que é hoje para nós, e o grande sucesso que temos com as seleções masculinas e femininas.

- Qual foi o fato que mais marcou a sua carreira?

Na minha inicialização no ano de 2004 meu primeiro ano de infanto-juvenil eu jogava no interior de São Paulo no time Nutriplus/ Salto . Quando eu estava bem atrás dos meus outros companheiros de equipe tecnicamente. No mês de Julho o time teve uma folga de 2 semanas, antes de voltar os treinamentos para os jogos Regionais de São Paulo, quando tive uma conversa com meu técnico e ele disse que eu talvez não voltasse para a equipe sendo demitido, que eu teria que voltar e provar para ele e para o grupo que eu tinha minha importância no grupo. Foi quando fui para Santos, minha cidade, a viagem inteira chorando sem saber como mudar, o que fazer.

Quando cheguei em Santos, meu tio Léo estava treinando a equipe adulta que havia em Santos e eu pedi para treinar com eles todos os dias que fossem possíveis que precisava mudar algumas características dentro de quadra, como a velocidade da bola que eu atacava, precisava treinar atacar mais rápido, ser mais rápido, então ele me ajudou , me deu um espaço dentro do time para treinar todos os dias juntamente com a colaboração dos jogadores levantadores, que faziam um pouco de treino extra comigo, levantavam bolas mais rápidas e eu fui aprendendo a ataca-las melhor.

Foi quando voltei para Salto e logo no primeiro treino eu já parecia outro jogador, logo fui titular nos jogos Regionais conquistamos o nosso objetivo no campeonato, que era fazer a final, pois nosso adversário da final era a equipe que havia em Sorocaba, e na época era um dos melhores times do brasil, juvenil e alguns jogadores sub 21, enfim…

Isso para mim foi o que mais marcou em minha carreira, até hoje, pois se de repente eu não tivesse obtido esta evolução, está mudança rápida dentro de quadra, eu talvez seria dispensado da equipe e isso poderia influenciar em muita coisa na minha carreira, eu pensava que poderia parar de jogar depois disso, por ser muito novo e por estar muito atrás tecnicamente dos outros jogadores.

- O que você faz ai na Bélgica quando não está trabalhando?

Nas horas vagas eu procuro estar sempre em contato com a família, amigos. Gosto muito de jogar Poker online. Vídeo-game também trouxe do Brasil comigo e também é um dos passa tempos dentro de casa, escutar música, acompanhar a Superliga brasileira pela internet. Muitos filmes, adoro ver filme de todo tipo quase!!.. Quando tenho final de semana inteiro de folga procuro em sair de turismo, conhecer outras cidades aqui por perto, outros Países enfim…

É basicamente isso o que faço por aqui. Gosto também de inventar alguns pratos na cozinha me divirto com os resultados e até que tem saido bacana as comidas! (risos)

- Qual lugar na Bélgica você acha mais atrativo para os brasileiros visitarem?

A Bélgica é um país pequeno, porém muito bonito. Recentemente visitei a cidade de Brugge e com certeza, acho que a mais atrativa, mais bela, mais interessante. Conforme a expressão que escuto por aqui, “Brugge é a Veneza do Norte”. Vale a pena conhecê-la!

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